sábado, 20 de fevereiro de 2010

Gold Fish

Vivemos nesta terra imunda, cercados de lodo viscoso por todos os lados. Nos acostumamos a viver assim, quase sem oxigênio, sufocados, vivendo uma vida tola. Na verdade não vivemos: Sobrevivemos.

A vida é dormir, acordar, trabalhar, assistir novela para depois dormir, acordar trabalhar e assistir novela de novo. É isso dia após dia, a cada dia o mesmo ciclo se fecha produzindo o mais profundo vazio. Existir parece ser a nossa única razão de estarmos bisonhamente vivos.

Viver, experimentar, sonhar são palavras que se perderam em seu próprio significante. As imagens nos atropelam e em geral nos aprisionam em um mundo fictício. A única lógica possível é a do devir dentro do ciclo. Não há mais sentido nesse mundo de vazios. Não há mais sonho, devaneio ou delírio. Não há mais poesia apenas interlúdios. Tudo o que resta é silêncio.

Somos peixinhos dourados presos em um aquário modorrento onde todo o nosso ofuscante brilho se perde em meio a medíocre vida que nos habituamos a levar. É isso! “A gente vai levando” como diria o Chico e no final de tanto levar a vida não nos resta nada além desta vazidão toda.

Somos peixinhos dourados que quando escapamos da redoma de vidro nos debatemos no chão até a morte por asfixia.

Somos peixinhos dourados que quando chegamos a hora derradeira somos facilmente substituídos por outros que custam apenas algumas bem cunhadas moedas.

Somos peixinhos dourados condenados a vida sem sonho, devaneio ou delírio. Perdidos da redoma de vidro, estéreis, em meio a vazidão e silêncio.

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